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Brasil

Como é a vida de um bombeiro?

2 de julho de 2019 3 comentários

Eles combatem incêndios, fazem resgates e salvamentos, realizam vistorias… Os bombeiros são parte fundamental do dia a dia de qualquer município e atuam zelando pela segurança e pelo bem-estar da população.

Não se sabe exatamente como o serviço começou, mas tudo indica que a origem está relacionada ao combate ao fogo – as outras funções dos bombeiros teriam sido incorporadas depois.

Uma das primeiras organizações de combate ao fogo surgiu na Roma Antiga, após um incêndio atingir a cidade de Roma no ano 22 antes de Cristo (a.C.).

A devastação provocada pelas chamas fez com que o imperador Otávio Augusto decidisse formar um grupo de pessoas que, entre outras funções, devia patrulhar as ruas e impedir novos incêndios.

Ao longo dos séculos, em várias partes do mundo surgiram outros grupos, que foram se profissionalizando e refinando as técnicas de atuação.

Na época da Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, o serviço já estava bem estruturado, com profissionais treinados e capacitados para desempenhar os mais diversos trabalhos.

Em 2 de julho, data em que se comemora o Dia do Bombeiro, o Joca reuniu duas entrevistas publicadas neste ano com bombeiros brasileiros. A primeira é com o porta-voz dos bombeiros de Brumadinho e a outra, com um funcionário que atuou na cidade mineira e em Moçambique, após um ciclone atingir o país. Confira abaixo.

NO CENTRO DO RESGATE

Cerca de 150 bombeiros seguem buscando 26 desaparecidos quase cinco meses depois da tragédia em Brumadinho. Em entrevista ao Joca, o tenente Pedro Aihara, porta-voz dos bombeiros na operação, explicou como a ação segue sendo realizada.

Que ações os bombeiros desempenham atualmente?

Estamos em uma fase em que o volume de lama que tem de ser movida é considerável. Para isso, usamos mais de cem máquinas pesadas. Também fazemos uma espécie de investigação para saber em que lugares as pessoas poderiam estar na hora da tragédia. Pegamos informações com a Vale — para saber onde esses indivíduos trabalhavam — e entrevistamos sobreviventes. Juntamos tudo isso a estudos matemáticos sobre a movimentação da lama e obtemos informações como a velocidade com que os rejeitos atingiram determinado ponto. Quando não estamos fazendo buscas, estamos planejando.

Estudos apontam que materiais presentes na lama, em contato com o corpo humano por períodos prolongados, podem fazer mal à saúde. Quais cuidados os bombeiros tomam?

Fazemos uma bateria de exames para garantir que não estamos tendo nenhum tipo de problema. Nós também tomamos uma medicação para prevenir doenças e recebemos acompanhamento psicológico e médico.

Que materiais vocês utilizam nas operações?

Usamos helicópteros especializados, drones (para confirmar pontos onde buscas devem ser realizadas), balões meteorológicos (para saber como será o tempo e verificar se temos que tirar as tropas de locais com risco de chuva), GPS (para apontar os pontos das buscas), entre outros. Além disso, utilizamos cães-guias, que auxiliam com o faro. Entre 70% e 80% das localizações que fizemos foram com algum tipo de apoio deles, seja indicando o ponto onde temos que fazer buscas, seja confirmando o local onde achávamos que um desaparecido estaria.

Logo após o rompimento da barragem, quantos bombeiros foram para Brumadinho?

O pico aconteceu nas duas primeiras semanas após a tragédia. Chegamos a ter 450 bombeiros. Vieram bombeiros de outros estados, bombeiros de Israel. Naquela época, nós não tínhamos máquinas pesadas. Então, hoje podemos dizer que temos a maior força de trabalho de toda a operação, pois uma máquina pesada faz o serviço de 20, 30 bombeiros.

Muitos dos bombeiros que estão em Brumadinho hoje também atuaram nas operações de Mariana [em 2015, uma barragem se rompeu na cidade], certo? De que maneira a operação em Mariana contribuiu para o trabalho que está sendo realizado hoje em Brumadinho?

Sim, a maior parte do efetivo em Brumadinho também trabalhou em Mariana. A partir do aprendizado que tivemos em Mariana, conseguimos melhorar alguns protocolos nossos, de modo a nos tornar mais eficazes. Pudemos verificar quais metodologias são mais adequadas nesse tipo de desastre.

Há pessoas dizendo que as operações podem chegar ao fim sem que todos os desaparecidos sejam encontrados. É isso mesmo?

A operação pode ser encerrada em dois casos: quando todos os desaparecidos forem localizados ou se chegar a um ponto em que será impossível fazer a identificação deles [por questões biológicas]. Mas até que a gente chegue a esse ponto, os bombeiros permanecem no local. Prova disso é que já estamos há mais de quatro meses na região e ainda não paramos a operação. Enquanto existirem condições, a gente vai permanecer realizando o nosso trabalho.

PROFISSIONAIS BRASILEIROS AJUDAM SOBREVIVENTES EM MOÇAMBIQUE

Enviados a Moçambique para auxiliar os sobreviventes do ciclone Idai, brasileiros especializados em buscas e salvamentos estão construindo centros de acolhimento para as vítimas, levando água, alimentos e medicamentos para os cidadãos atingidos e liberando estradas para facilitar o transporte de cargas e pessoas.

Desde o fim de março, membros do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e da Força Nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil estão atuando na região com o objetivo de ajudar a população, que sofre com falta de comida, água potável e itens de higiene, entre outros. A seguir, confira entrevista que o capitão Kleber, um dos brasileiros enviados a Moçambique, deu ao Joca.

Como você está ajudando os sobreviventes?

As vítimas estão sendo levadas para centros de acolhimento e, em seguida, para abrigos temporários que estamos ajudando a construir. Neles há água potável e comida. Se as vítimas ainda estivessem nas residências devastadas, ficariam sem comida e beberiam água que muitas vezes está contaminada, correndo o risco de ficar doentes.

Qual está sendo o maior desafio da missão?

É ver que a tarefa de apoio às vítimas do ciclone é grande, mas o desafio em Moçambique é maior. Já era um país muito vulnerável, e o ciclone expôs isso. Aqui, há muitas pessoas pobres, que são as que mais sofrem. Nosso maior desafio é ter que ver esse sofrimento no dia a dia.

Você também atuou em Brumadinho?

Sim, sou piloto de helicóptero, a minha aeronave foi a segunda a chegar lá. Resgatei duas vítimas vivas. Trabalhei por mais de 60 dias em Brumadinho.

*Entrevistas publicadas originalmente nas edições 133 (Especial Brumadinho) e 129 do Joca.

3 comentários

  1. Alexandre says:

    que legal os bombeiros ajudam vidas

    1. CPM EMEF Érico Veríssimo says:

      e mesmo e

  2. Clara Azevedo Machado says:

    Que bom que os bombeiros 🚒 existem para ajudar as pessoas e apagar incêndios 😃

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