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Conheça quatro passos para resolver problemas sem brigar

2 de outubro de 2018 6 comentários

Estudantes usam jogo Grok para resolver conflitos em sala de aula. Foto: Arquivo pessoal

Foi na aula de Imersão de Inglês que Laura P., de 9 anos, e Gabriela D., de 7, da AfterSchool Educação, conheceram o Grok, um jogo de cartas baseado na Comunicação Não Violenta (CNV – entenda mais abaixo). O objetivo era resolver uma briga entre um aluno que não queria fazer uma atividade e os outros estudantes.

Com 75 cartas de sentimentos e outras 75 estampando necessidades, o jogo, aplicado pela professora Heidi Hirano, permitiu que as crianças se entendessem. “Depois do jogo, você fica mais calmo, se sente à vontade e não fica bravo com a outra pessoa”, explica Laura, que passou a aplicar o que aprendeu na outra escola onde estuda e em casa.

As amigas Laura e Gabriela brincam de Slime: segundo elas, essa é uma ótima forma de se desestressar em uma discussão. Foto: Arquivo pessoal

O estudante Alexandre C., de 16 anos, define a CNV como uma uma forma de evitar conflitos desnecessários. “Essa técnica facilita o acesso à outra pessoa e o entendimento do problema”, explica ele, que conheceu esse tipo de comunicação com a mãe Pamela Seligmann. “Hoje em dia, há pouco diálogo e, assim, a gente perde o que está acontecendo de verdade e acaba ficando mal entendidos, o que eu acho a pior parte˜, diz Alexandre.

Alexandre: para ele, CNV ajuda a resolver problemas desnecessários. Foto: Arquivo pessoal

O mal entendido é um dos temas do livro infantil “É conversando que a gente se entende”, escrito pela defensora pública Julia Luz e por sua filha Carolina, de 7 anos, com o objetivo de ensinar a CNV para crianças e jovens. Na história, a cadelinha Gigi e o gatinho Tuco adoram brincar com a lagarta Lina que, de uma hora para outra, desaparece.

Carolina, de 7 anos, e sua mãe, Julia Luz, coautoras do livro “Conversando a gente se entende”. Foto: Arquivo pessoal

Gigi e Tuco pensam que Lina não quer mais brincar com eles e ficam bravos. Dias depois, ela aparece como uma linda borboleta querendo brincar, enquanto o gatinho e a cadelinha a culpam pelo sumiço. A lagarta conta sobre o tempo que dedicou à sua transformação de lagarta à borboleta e, conversando, eles finalmente se entendem e continuam a ser amigos.

Segundo Julia, essa técnica de comunicação ensina que o mais importante não é ganhar ou perder uma discussão. “Colocar em prática a CNV é sair do jogo de quem está certo ou errado e abrir espaço para o diálogo”, diz. “Se você não está acusando a pessoa de nada, você se abre ao diálogo, ou seja, ao mesmo tempo que quer falar, quer entender”, explica ela.

As crianças nascem abertas, honestas e muito espontâneas, características que facilitam a prática da Comunicação Não Violenta, de acordo com Giovana Barbosa, professora de CNV na UMAPAZ (Universidade Aberta de Cultura de Paz e Meio Ambiente). Para ela, o grande desafio das crianças é descobrirem seus sentimentos e terem confiança de expressá-los a um adulto. ˜Elas precisam de ajuda para entenderem que podem comunicar seu sentimento sem serem repreendidas.˜

Julia concorda e diz que sentimentos ruins e bons têm importância, assim como os momentos felizes e complicados da vida. Por isso, é preciso aceitar o que se sente e evitar esconder.

Ela lembra também que, na hora de uma briga, não é possível controlar as atitudes da outra pessoa, mas sim as nossas próprias ações. “Se uma pessoa te xingar é normal ficar triste ou bravo. Mas só você pode decidir se vai xingar a pessoa de volta ou tentar resolver a situação de uma forma mais pacífica˜, afirma Julia.

Resolver questões complicadas sem o uso da força ou da agressão era o que defendia Mahatma Gandhi, líder do movimento de independência na Índia e um dos criadores da estratégia da não violência. Seu aniversário em 2 de outubro deu origem ao Dia da Não Violência. Aproveite a data para conhecer essa técnica e descobrir o que fazer para colocar a Comunicação Não Violenta em prática.

O que é a Comunicação Não Violenta?
É um jeito de se comunicar sem ofensas, buscando ouvir os próprios sentimentos e os dos outros. Essa técnica de conversar foi desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg. Preocupado com os conflitos entre pessoas de diferentes origens e com o preconceito sofrido quando criança por ser judeu, Marshall criou o método baseado em quatro passos. São os seguintes:

1- Observe
O que te incomodou? Descreva o fato para a pessoas com quem está conversando sem julgamentos. Por exemplo: se você não gostou que seus pais não brincaram com você em determinado dia, não os chame de preguiçosos. Diga simplesmente que te incomodou o fato de eles não terem brincado contigo naquele momento.

2 – Expresse seu sentimento
Busque conhecer mais sobre o que acontece dentro de você. Para entender mais sobre sentimentos faça a seguinte brincadeira com uma ou mais pessoas: escreva nomes como “medo”, “tristeza” e “alegria” em papéis e embaralhe. Tire um dos papéis e tente representar esse sentimento fazendo mímicas para a outra pessoa. Identificando seu sentimento, é mais fácil entendê-lo e dizer o que você sente para a outra pessoa. Quando seus pais não quiseram brincar com você, o que você sentiu? Tristeza, raiva, decepção? Conte a eles.

3. Busque sua necessidade
Do que você precisa? Geralmente, sentimos algo bom quando a nossa necessidade é atendida e temos um sentimento ruim quando isso não acontece. Você sente a necessidade de brincar e ficou triste porque seus pais não brincaram com você. Diga isso a eles.

4. Peça
O você gostaria que a pessoa com quem você está conversando fizesse para melhorar essa situação? Faça um pedido concreto, por exemplo: “eu quero que vocês brinquem mais comigo”. Deixe de lado frases genéricas como “quero que você me dê alegria” ou generalizações como “vocês nunca brincam comigo!”

Depois que você expressou com respeito e sinceridade seus sentimentos e necessidades a outra pessoa, é hora de ouvir o que ela tem a dizer. No caso usado como exemplo, seus pais podem justificar que estavam muito cansados quando você pediu para brincar. A partir disso, vocês podem chegar a algum acordo, como reservar algumas horas da semana para brincarem juntos.

“Eu não chego a aplicar a CNV com os quatro passos, quadradinho, no dia a dia˜, confessa Alexandre, que também é músico e mantém um canal no YouTube. “Mas sempre procuro a empatia, o ponto do outro e o que ele necessita, isso é mais essencial que os quatro passos e toda aquela coisa”, opina.

E você? Já conhecia essa técnica? Acha que ela pode ser útil para resolver conflitos? Conte para o Joca nos comentários.

6 comentários

  1. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    OS ALUNOS DO SEGUNDO ANO C ACHAM QUE VIOLÊNCIA COMO BRIGAR, XINGAR OU BATER É MUITO FEIO E TRAZ UM SENTIMENTO RUIM. A MATÉRIA DO JOCA NOS AJUDOU A SABER O QUE DEVEMOS FAZER NESSES CASOS.

  2. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    OS ALUNOS DO QUARTO ANO A GOSTARAM DA REPORTAGEM PORQUE NÓS PUDERMOS APRENDER A CONVIVER SEM BRIGAR. ISSO IRÁ NOS AJUDAR BASTANTE.

  3. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    OS ALUNOS DO TERCEIRO ANO B ACHARAM A MATÉRIA INTERESSANTE E DIVERTIDO PORQUE TANTO OS CASAIS COMO AS CRIANÇAS BRIGAM POR UMA COISA BOBA. DESSE MODO PODEM RESOLVER OS CONFLITOS DE MANEIRA MAIS TRANQUILA. ESSE JOGO É MUITO LEGAL PORQUE PODEMOS NOS EXPRESSAR DE UMA MANEIRA QUE DEIXE O OUTRO CONFORTÁVEL.

  4. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    OS ALUNOS DO TERCEIRO ANO C GOSTARAM DA REPORTAGEM PORQUE ENSINA COMO RESOLVER CONFLITOS.

  5. Felipe Birne Santana de Medeiros says:

    Eu não costumo fazer isso, tenho um colega que se deixar ele me bate toda hora. Ai eu revido.

    1. Jornal_Joca says:

      Oi Felipe! Nesse caso, fale sobre o que está acontecendo com um adulto – professor ou responsável – e ele vai orientar você e o seu colega a resolverem esse conflito da melhor forma. A violência física nunca é a solução. Volte para nos contar e continue lendo o Joca.

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