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Entrevistas

De olho na bola

5 de agosto de 2019 1 comentário

Tamires começou a carreira em Caeté, Minas Gerais. Crédito: divulgação.

Por Maria Fernanda N. e Pedro G., ambos de 10 anos

A jogadora Tamires Cassia Dias Gomes, da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, tem 31 anos. Ela atuou em times como Santos, Juventus, Charlotte Eagles (EUA), Fortuna Hjørring (Dinamarca) e está jogando agora no Corinthians.

A simpática jogadora aceitou nosso convite para ser entrevistada pelos repórteres mirins Maria Fernanda N. e Pedro G., ambos de 10 anos. Confira a seguir.

Como você começou a jogar futebol?
Minha mãe fala que, aos 3 anos, eu já chamava meu pai para jogar bola comigo. Mas foi aos 11 anos, quando comecei a jogar futsal na escolinha da minha cidade, Caeté, em Minas Gerais, que levei a sério mesmo.

Você já parou de jogar duas vezes ao longo de sua carreira. Por quê?
Quando fiquei grávida, aos 21 anos, parei para cuidar do meu filho. Depois, parei de novo porque acabava passando o dia inteiro fora de casa, longe da família. Mas senti saudade de estar em campo e voltei.

Qual foi a sua reação quando soube que tinha sido convocada para a seleção brasileira pela primeira vez?
Eu tinha 16 anos quando fui convocada pela primeira vez para a seleção brasileira de base. Já a primeira convocação para a seleção principal veio aos 25 anos. Fiquei muito feliz. Quando vesti a camisa da seleção, senti algo maravilhoso. Era muito bom representar o meu país e levar comigo os sonhos de milhares de meninas que também gostariam de jogar futebol.

Que dificuldades você já enfrentou desde que começou a jogar futebol? Como você lidava com elas?
Enfrentei preconceito por ser mulher e gostar de jogar bola. Muitas pessoas diziam que mulher não deveria praticar. Mas futebol é coisa de mulher, sim. Quando faziam esses comentários, eu ficava chateada, mas, acreditando no meu sonho, eu deixava para lá e continuava jogando. Às vezes, eu jogava contra os garotos que falavam mal de mim e dava um “rolinho” ou fazia alguma coisa legal com a bola. Eles diziam: “Nossa, ela sabe jogar mesmo”. Eu fazia eles pararem de falar ao mostrar o meu futebol.

Como é o seu dia a dia no Corinthians?
É bem corrido. Nós fazemos academia por uma hora e meia, depois pegamos o ônibus e vamos até o Centro de Treinamento do Corinthians, onde treinamos no campo por duas horas. Depois, voltamos para casa. Eu fui para o clube logo depois que voltei da Copa do Mundo [antes, Tamires jogava no Fortuna Hjørring, da Dinamarca].

Como era a sua vida na Dinamarca?
Passei quatro anos lá. A cidade em que eu morava, Hjørring, era muito tranquila, ficava no interior do país. Eu vivia perto do clube e ia para os treinos a pé ou de bicicleta – eles usam muito por lá. A Dinamarca é um país muito frio: cheguei a treinar com uma sensação térmica de -21°C. Fui me adaptando, mas não gostava muito do clima de lá. Tirando isso, é um país muito bom para morar.

Por que você resolveu voltar para o Brasil?
Quero fazer parte desse processo de crescimento do futebol feminino no Brasil. Meu principal objetivo é ajudar o futebol feminino de base, transmitindo um pouco da minha experiência para as crianças que têm o sonho de seguir carreira.

Quais são as suas melhores lembranças relacionadas a futebol?
O primeiro teste que eu passei, no Juventus, quando tinha 15 anos. Jogar na Olimpíada [Rio 2016], ser campeã pan-americana [Jogos Pan-Americanos Toronto 2015] e vencer a Copa América duas vezes [2018 e 2014]. Além disso, tenho boas memórias dos títulos que conquistei nos clubes em que joguei, como o Fortuna Hjørring.

Entrevista realizada durante oficina de férias do jornal Joca, em julho de 2019.

1 comentário

  1. CEU EMEF TATIANA BELINKY says:

    otimo,profissional,top das tops

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