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Favela de São Paulo terá banco e moeda próprias

4 de junho de 2018 1 comentário

por Martina Medina

Paraisópolis: objetivo é estimular a economia local

A maior favela de São Paulo, Paraisópolis, terá um banco e uma moeda própria, que só irá circular no local. Os moradores poderão abrir contas, sacar dinheiro, ter cartão de débito, fazer pequenos empréstimos e usar um aplicativo de celular para movimentar o dinheiro. Entre as vantagens, estão descontos no comércio e juros de empréstimos mais baixos. Todo o lucro do banco financiará projetos na comunidade.

A moeda (Nova Paraisópolis) será impressa, e o Banco de Paraisópolis, administrado pela associação de moradores e comerciantes da comunidade. O objetivo é estimular a economia local na favela, que tem 100 mil habitantes e 8 mil estabelecimentos comerciais.

Saiba mais nesta entrevista com Joaquim Melo, coordenador da Rede Brasileira de Bancos Comunitários e fundador da primeira instituição desse tipo no país, o Palmas, criado em 1998 na favela de Palmeiras, em Fortaleza, capital do Ceará.

Há outros bancos comunitários, como o de Paraisópolis, no Brasil?
Há 103 dessas instituições em funcionamento no país com 103 moedas próprias.
Eles são administrados por cidadãos da comunidade de forma independente do governo e dos bancos tradicionais.

O que eles fazem?
Emprestam dinheiro a juros baixos aos consumidores e comerciantes locais, que muitas vezes não teriam acesso a empréstimos comuns por não possuírem bens que possam oferecer como garantia. Eles também são uma alternativa à falta de bancos em alguns lugares.

Para que servem essas moedas locais?
Para estimular o consumo nos bairros onde as moedas circulam e desenvolver essas áreas economicamente, com a criação de emprego e renda. As moedas são reconhecidas pelo Banco Central, uma das principais autoridades financeiras no país.

Como são definidos os nomes das moedas?
Geralmente, essas moedas se referem ao nome ou a símbolos das localidades onde circulam. Sabiá, tupi, terra e maracanã são alguns deles.

Maracanã, moeda social usada pelo banco Jaçanã, no Ceará

É possível trocar moeda social por real?
A moeda social é lastreada em reais, ou seja, uma moeda social equivale a um real. Assim, se um comerciante do bairro precisar comprar produtos fora da favela, pode trocar as moedas locais por reais sem perder dinheiro. Já os consumidores não podem fazer esta troca – conhecida como câmbio – para garantir que comprem na comunidade.

Como garantir que a moeda não é falsa?
A Palmas, por exemplo, possui vários dispositivos de segurança parecidos como os do real: tarja holográfica e marca d’água, além de papel moeda-diferenciado. “Se a pessoa quiser tirar xerox ou scannear, a cópia vai desbotar toda”, explica Melo. “Uma lanterna infravermelha apontada contra a nota dispara uma cor e também permite ler por debaixo dela a marca da rede.”

Como a iniciativa estimula a economia local?
Muitos bairros continuam pobres porque as pessoas que moram lá compram muitos produtos fora. Com a moeda local e seus benefícios – descontos e juros baixos -, o morador é incentivado a consumir na sua comunidade. “Antes da criação do Banco Palmas, 83% dos moradores consumiam fora do bairro, hoje 95% deles compram lá dentro”, diz Melo. Segundo ele, a moeda também estimulou o surgimento de novas lojas, como a Palmafashion e da Palmatur.

Moradores de Philadelphia, nos Estados Unidos, trocam a moeda social Equal Dollars.

Existe moedas sociais em outros países?
Sim, milhares. A Bristol Pounds, por exemplo, foi criada 2012 pela comunidade de Bristol, na Inglaterra. A Calgary Dollars existe desde 1995 na comunidade de Alberta, no Canadá. Na Pensilvânia, nos Estados Unidos, circula a Equal Dollars Community. Somente na Espanha existem cerca de 50 moedas deste tipo. Em Portugal, elas ganham nomes curiosos como lixos, teares e lapas.

Qual é a inspiração para o surgimento desses bancos e moedas sociais?
O economista Muhammad Yunus, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2006  por fundar o Grameen Bank, o primeiro banco do mundo que emprestava dinheiro a milhões de pobres de Bangladesh. O sistema é conhecido como microcrédito.

1 comentário

  1. marcella ferreira gomes says:

    Meu deus , inacreditavel!

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