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Jovens de Moçambique falam sobre o ciclone Idai

5 de abril de 2019 4 comentários

O Idai foi considerado o pior desastre natural que já aconteceu no hemisfério sul. Foto: Tafadzwa Ufumeli/Getty Images

por Martina Medina

O ciclone Idai atingiu Moçambique, na África, na noite de 14 de março, passando também por Zimbábue e Malaui. Escolas, casas, hospitais, lojas, estradas e plantações foram destruídas por tempestades e ventos fortes. Também há vilarejos inteiros debaixo d’água.

Segundo dados oficiais, o ciclone deixou mais de 800 mortos, 1.500 feridos e quase 90 mil pessoas sem casa. Mas, de acordo com Filipe Nyusi, presidente de Moçambique, país que concentra a maior parte das vítimas, o número total de mortos pode chegar a mil.

“Esse foi um dos piores desastres ambientais já vividos no continente africano”, declarou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Cerca de 1,85 milhão de pessoas foram afetadas pelo fenômeno, segundo a entidade. Faltam comida, água potável, remédios e abrigo para os sobreviventes, que também enfrentam dificuldades para fazer ligações e acessar a internet.

A seguir, confira relatos de cinco jovens moçambicanos sobre o desastre e saiba como ajudar.

CORRESPONDENTES INTERNACIONAIS

“Eu nunca tinha visto um desastre desse tipo e espero que não haja mais. O ciclone não chegou à minha cidade, mas acompanho daqui o sofrimento que ele causou. É tão triste ver uma criança sem aula, pessoas com doenças graves sem hospitais, as empresas onde nossos pais trabalhavam para sustentar a família destruídas, as estradas em que se faziam os deslocamentos de produtos danificadas… É um gesto muito grande que empresas nacionais e estrangeiras apoiem Moçambique com doação de roupas, alimentos, materiais escolares e dinheiro. Isso quer dizer que o nosso país não está sozinho. Minha escola está arrecadando doações para as pessoas afetadas. Se hoje aconteceu com elas, amanhã pode ser conosco. Devemos mostrar a nossa união como seres humanos e nossa caridade.”
Izaquel da Júlia D., 16 anos, da escola secundária de Nacala Porto, no estado de Nampula (Moçambique)

Afai

“Eu estava em casa, em Nacala Porto, assistindo à televisão, quando foi noticiado o ciclone. Conheço pessoas que presenciaram sua passagem. Segundo elas, no início apareceram ventos fortes e agitação na temperatura. Os ventos destroem casas, hospitais, escolas e muito mais. É necessário que os moçambicanos, assim como eu, melhorem as condições de vida. Por exemplo, reconstruir novas escolas e hospitais mais fortes para que, caso o ciclone ataque novamente, não destrua tudo.”
Afai A., 17 anos, da escola secundária de Nacala Porto, no estado de Nampula (Moçambique)

Muagera

“Estava em Nacala Porto assistindo ao telejornal quando soube do ciclone. Também vi comentários no Facebook e no WhatsApp. As pessoas que presenciaram a passagem do ciclone estão em uma situação terrível: sem casa, roupa, comida, eletricidade e dinheiro. Houve destruição de estradas, escolas, hospitais… Ajudamos doando alimento, água, roupa etc. Espero que Beira se desenvolva mais.”
Muagera A., 17 anos, aluna da escola secundária de Nacala Porto, no estado de Nampula (Moçambique)

Dorteia

“Estava em casa assistindo à televisão com meus familiares quando veio a notícia sobre o ciclone. Vi destruição de casas, escolas, empresas, estradas. O ciclone deixou a cidade da Beira muito mal. Com falta de comida, roupa, energia e água… Espero melhoras para Moçambique.”
Dorteia M., 17 anos, aluna da escola secundária de Nacala Porto, no estado de Nampula (Moçambique)

João

“Moro em Maputo e fiquei sabendo do ciclone pelas notícias. Apesar de não conhecer ninguém nas áreas atingidas, fiquei muito triste, eu me senti muito mal. Existem pessoas que ficaram sem nada, sem ter onde dormir. O governo precisa criar mecanismos para se prevenir de tragédias como essa.”
João M., 20 anos

E agora?
No momento, a maior ameaça é a epidemia de doenças como cólera, malária, tifo e diarreia. Essas enfermidades se espalham pelas águas das enchentes contaminadas pelo lixo e também são transmitidas por consumo de água imprópria e falta de higiene nos alojamentos que recebem os desabrigados.

Um surto de cólera chegou a Moçambique. Até agora, mais de 1.400 casos foram confirmados e o número deve aumentar, já que mais de 2 mil pessoas estão com diarreia grave, um dos sintomas da doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que mandará cerca de um milhão de doses de vacina contra a cólera para a região.

Ajuda
A ONU estima que o prejuízo em infraestrutura pode superar um bilhão de dólares e que serão necessários ao menos 337 milhões de dólares para ajuda humanitária aos países nos três primeiros meses. Apenas 2% desse valor foi arrecadado até o momento. O Brasil doou cerca de 440 mil reais.

Um navio com 1.400 toneladas de alimentos doados por moçambicanos e estrangeiros foi enviado à cidade de Beira, em Moçambique, que teve 90% do território destruído pelo ciclone.

Quer ajudar?
Conheça algumas instituições que estão recebendo doações

Central de Apoio – bit.ly/central-de-apoio
Junta de Missões Mundiais, ligada à Convenção Batista Brasileira – bit.ly/junta-missoes-mundiais
Unicef, fundo da ONU para a infância – bit.ly/ajuda-unicef
Médicos Sem Fronteiras – bit.ly/medicos-sem-fronteiras
ActionAid – bit.ly/ajuda-action-aid

Números do desastre
170 km/h

é a velocidade dos ventos do ciclone Idai

1 milhão
de crianças foram afetadas

3.125 km²
é a área atingida por enchentes em Moçambique — mais do que o dobro do território da cidade do Rio de Janeiro

O que é um ciclone?
É uma forte tempestade com ventos que giram de 120 km/h a 200 km/h (mais do que a velocidade de um guepardo, um dos animais mais rápidos do mundo). O fenômeno se forma sobre águas quentes do sul do Oceano Pacífico e do Oceano Índico.

Fontes: Unicef e ONU.

Esta é uma versão com mais depoimentos da matéria original, publicada na edição 128 do jornal Joca. Os dados sobre a passagem do ciclone foram atualizados no dia 3 de abril.

 

#PraCegoVer

Imagem 1: A fotografia mostra uma estrada em meio a uma floresta arborizada, há uma pessoa ao fundo de costas de camiseta preta e calça azul, quatro galhos de árvores caídos no meio da rua e um buraco grande do lado direito.

Imagem 2: A fotografia mostra o correspondente internacional Izaquel sentado em uma poltrona preta vestindo uma camiseta branca com detalhes na cor vermelha.

Imagem 3: A fotografia mostra o correspondente internacional Afai sentado em uma cadeira azul vestindo uma camiseta social branca e gravata azul marinho. De fundo, há alguns pôsteres colados na parede.

Imagem 4: A fotografia mostra a correspondente internacional Muagera vestindo uma camiseta amarela com os raios de sol batendo em seu rosto.

Imagem 5: A fotografia mostra a correspondente internacional Dorteia com as mãos sobre uma mesa em frente à televisão, vestindo uma camiseta rosa clara sem mangas com o fone de ouvido branco pendurado no pescoço.

Imagem 6: A fotografia mostra o correspondente internacional João usando óculos escuros e camiseta branca, ao fundo, o céu limpo e azul.

4 comentários

  1. South Hills Middle School says:

    🙁

  2. South Hills Middle School says:

    thats so sad

  3. Mariano Goldfarb Paz says:

    iso e ben triste.tomara que os feridos se recuperem e voltem a teriam vida boua.
    e que tenham agua e remédios e comida

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