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Malala diz que quer ajudar 1,5 milhão de brasileiras fora da escola

10 de julho de 2018 Nenhum comentário

Malala na palestra que aconteceu no Auditório do Ibirapuera. Foto: Rovena Rosa/Ag. Brasil

A paquistanesa Malala Yousafazi, grande defensora do direito à educação, deu uma palestra no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, nesta segunda-feira, dia 9. A jovem de 20 anos falou sobre a importância do estudo e disse que quer ajudar a dar educação de qualidade para as meninas brasileiras. “Quero achar meios para que as 1,5 milhão de meninas [fora da escola] no Brasil tenham acesso à educação”, afirmou.

No encontro, a ativista anunciou que a sua organização, a Fundação Malala, ajudará entidades brasileiras de educação no país. Para a jovem, não há melhor maneira de contribuir do que apoiar pessoas que já realizam projetos locais. “Vamos focar nas regiões que mais precisam, como o Nordeste do Brasil, mas também vamos apoiar outras campanhas. Queremos trabalhar junto com vocês”, disse no evento promovido pelo Itaú Unibanco.

Ao todo, 800 pessoas, entre elas estudantes e pessoas ligadas a ONGs (Organizações Não Governamentais), compareceram à palestra. Como a entrada era restrita, apenas convidados puderam participar. Ingressos não foram vendidos.

Aos estudantes que estavam presentes, Malala pediu que lutem por uma sociedade mais justa e não se desanimem com os obstáculos. “Sei que às vezes existe raiva ou falta de esperança, mas a sua luta e o seu ativismo têm o poder de fazer mudanças. Vocês não devem esperar que alguém fale por vocês. Vocês sempre têm de erguer suas vozes”.

A Fundação Malala já apoia projetos no Afeganistão, Índia, Nigéria, Paquistão e Síria.

Pela primeira vez no Brasil, Malala disse que sempre sonhou em vir para cá e que estava se sentindo em casa. “Esse país é maravilhoso em termos de cultura e sinto toda a energia positiva que vocês me dão. Sou muçulmana, venho de uma terra muito distante, mas me sinto em casa.”

Quem é Malala Yousafazi?

Hoje, Malala é conhecida no mundo todo por sua luta pela educação e pelos direitos das mulheres.

Essa trajetória começou nos anos 2000, quando a jovem frequentava uma escola no Paquistão. Na época, Malala tinha um blog em que falava sobre as dificuldades que as garotas enfrentavam para estudar no país. Isso porque a nação era controlada pelo Talebã, grupo que defende ideias distorcidas do islamismo e que não permite que meninas estudem, por acreditar que tal prática é inapropriada.

Malala com o diploma do Prêmio Nobel da Paz.

Os textos publicados pela jovem, que na época tinha 15 anos, começaram a incomodar a organização, que armou uma operação para matá-la. Embora tenha sido atingida por uma bala, Malala sobreviveu e foi levada para o Reino Unido, para que pudesse viver em segurança.

Após o atentado, a luta da ativista pelos direitos das meninas de estudarem se tornou conhecida mundialmente. Tanto que, em 2014, aos 17 anos, Malala se tornou a pessoa mais nova a receber o Nobel da Paz, prêmio dado a pessoas que contribuem para a paz mundial.

Hoje, Malala estuda na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e comanda a Fundação Malala, uma organização que ajuda diversas iniciativas no mundo todo e que tem como objetivo levar educação de qualidade para meninas do mundo todo. Ela também lançou uma biografia e um documentário sobre a sua história.

“Muitos me perguntam se sinto raiva de quem cometeu o atentado contra mim e eu costumo dizer que a minha maior vingança é promover a educação”, disse Malala, no evento em São Paulo. “Eu não sinto raiva. Quando você fala com raiva e violência, a mensagem é perdida. Quando você converte a energia da raiva em energia positiva ninguém pode te ignorar”.

Depoimento de uma das convidadas do evento:

“A visita de Malala ao Brasil foi inspiradora! Um dos momentos mais marcantes foi quando ela disse que crianças e adultos precisam continuar sonhando com um mundo melhor. Afinal, muitas mudanças já estão acontecendo! Acredito que temos que continuar sonhando para podermos lutar pelo presente e o futuro que desejamos.” – Flavia Doria, do Instituto Alana. 

Fontes: Agência Brasil, G1 e Huffington Post.

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