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Mundo egípcio no Brasil

1 de outubro de 2018 Nenhum comentário

Julio descobriu a sua paixão pelo Egito quando adolescente. Foto: Acervo pessoal


Há mais de 40 anos atrás, depois de ver alguns filmes e reportagens na televisão, Julio Gralha fez uma descoberta: queria estudar a história do Egito. Na época, ele tinha 15 anos. Hoje, aos 57, é um dos principais especialistas em Egito no Brasil e coordenador do Núcleo de Estudos em História Medieval, Antiga e Arqueologia Transdisciplinar (Nehmaat), da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Em entrevista aos alunos do ensino fundamental I e II, da Escola Parque (unidades Barra da Tijuca e Gávea), do Rio de Janeiro, o pesquisador falou sobre a importância do Museu Nacional e tirou dúvidas sobre a história e cultura egípcias.

Qual foi a sua reação ao saber do incêndio no museu?
No domingo do incêndio, eu estava trabalhando e minha sogra ligou para avisar, pois eu vejo pouco TV. Pensei que fosse algo pequeno, mas aí fui buscar informações. Ao ver como estava o museu, totalmente destruído, a dor foi instantânea. Começou a passar pela minha cabeça todas as coleções de lá, não só a egípcia. O coração foi batendo mais forte, e eu comecei a chorar.

Qual era a importância do museu para você?
Minha relação com o museu era de amor. Eu ia até lá com frequência para ver as peças e fazer fotos delas. Tinha grande carinho por aquele local. Mas o museu era importante para todos, não só para mim, que estudo o Egito. Não eram só 200 anos de pesquisa, desde que ele foi fundado. Ali estavam descobertas de milhões de anos atrás. Era como se fosse uma passagem no tempo. Uma maneira de você voltar na história e realmente ver materiais de tantas culturas. Era o quinto museu do mundo em tamanho de acervo e um centro de estudos. Diversos pesquisadores vinham do exterior para estudar o material de lá.

Você já foi até o Egito? Como é lá?
Já fui duas vezes e vou novamente em janeiro. O Egito é um lugar muito interessante – e muito quente, igual ao Rio de Janeiro quando faz 40 graus. Mas como o clima é bem seco por lá, você não transpira muito. O deserto tem uma cor bonita, um amarelado como se fosse o sol no entardecer [parte do deserto do Saara está no território do Egito]. Existem muito monumentos para visitar, de diversas épocas.

Qualquer pessoa do Egito podia ser mumificada?
No início, por volta de 2.500 a.C., somente faraós podiam ser mumificados. Em torno de 2.200 a.C., isso mudou, e indivíduos comuns, desde que tivessem condição financeira, também passaram a ser mumificados.

Caixão de Sha-amun-en-su, cerca de 750 a.C.: nunca foi aberto, mas exames revelaram que a múmia dessa sacerdotisa e cantora está lá dentro. O objeto foi doado para o imperador dom Pedro II quando ele visitou o Egito. Julio conta que ser mumificado era símbolo de nobreza.

Como as múmias eram feitas?
Primeiro, para que o corpo não apodrecesse, os órgãos eram retirados – alguns eram mumificados separadamente. Mas o coração ficava por ser considerado a sede da consciência e do intelecto de uma pessoa para os egípcios da época. Se o coração fosse danificado por algum motivo, no lugar era colocado um amuleto em formato de escaravelho na cor vermelha. Então, o corpo era coberto com uma substância chamada natrão [tipo de sal encontrado naturalmente no Egito] e ficava assim por alguns dias para secar. Depois, eram colocados perfumes, incensos e mais amuletos. Por fim, o corpo era embrulhado.

Animais também viravam múmias?
Sim. Em algumas tumbas foram encontrados o dono e seu animal de estimação mumificados. Além disso, muitos bichos considerados sagrados pelos egípcios eram mumificados quando morriam. É o caso de um tipo de touro, chamado Ápis ou Mnévis. Também foram encontrados falcões, gatos, cachorros, macacos e íbis [uma ave].

Como os egípcios construíram pirâmides tão altas em uma época sem tantos recursos?
Ainda não se sabe como as grandes pirâmides, como Quéops, foram construídas. Mas dá para identificar algumas características. Sabe-se, por exemplo, que a quantidade de pessoas trabalhando era enorme, que existia a capacidade de transportar pedras pesadas e que os egípcios deveriam ter algum método para ir construindo cada etapa da pirâmide, usando rampas. Existem mais de cem pirâmides no Egito – um enigma que cria muita especulação, como as histórias de que foram alienígenas que as ergueram. Eu acho que foram os egípcios mesmo.

Matéria originalmente publicada na seção Repórter Mirim da edição 120 do Jornal Joca.

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