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Vida ativa

10 de agosto de 2018 8 comentários

Matias Gonçalves e Joaquim Martins posam para foto com Filipe Oliveira depois de entrevistá-lo na Folha de S. Paulo.

Joaquim Martins e Matias Gonçalves

Os leitores Matias Gonçalves e Joaquim Martins entrevistaram o jornalista Filipe Oliveira para a seção Repórter Mirim da Edição 116 do Joca.

Com ares de tranquilidade, Filipe Oliveira chega à redação da Folha de S.Paulo com uma bengala na mão. Acostumado a fazer entrevistas, desta vez, o repórter, que trabalha na área de economia do jornal há sete anos, será entrevistado pelos repórteres mirins Matias Gonçalves e Joaquim Martins, do quinto ano da St. Paul’s School (SP).

Vítima de uma doença que comprometeu mais de 90% de sua visão, Filipe é, hoje, um exemplo de como enfrentar os obstáculos do dia a dia com leveza e serenidade. Após se formar em música, entrou na carreira de jornalista e nunca mais saiu. Conhecido por todos na redação – da secretária aos companheiros de trabalho – Filipe escreve, apura, vai a eventos, faz entrevistas e viaja sozinho para escrever matérias.

Confira a entrevista que ele deu ao Joca:

Como você chegou ao jornalismo?
Eu fiz faculdade de música, pois tocava piano e um pouco de violão. Quando terminei o curso, comecei a achar que era muito difícil continuar na profissão. Eu colocava a partitura bem pertinho do olho (tenho 5% de visão) e tentava decorar o que via, mas esse processo levava muitas horas, e percebi que dava muito trabalho fazer isso todos os dias. Então, resolvi virar jornalista e escrever sobre música. Passei no treinamento da Folha de S.Paulo, em 2011 depois nunca mais saí daqui.

Como você se tornou deficiente visual?
Eu tenho uma doença que se chama retinose pigmentar. Descobri aos 8 anos e, na época, enxergava muito bem. Depois disso, aos poucos, comecei a ter dificuldade para ler, enxergar placas na rua e reconhecer o rosto das pessoas.

O que significa ter 5% de visão? O que exatamente você consegue ver?
Eu percebo a diferença de luzes. Quando está muito claro, consigo enxergar formas grandes, como uma árvore. Mas tudo isso depende da situação. Agora, por exemplo, consigo ver as luzes do teto, um pouco da cor do chão e a silhueta de vocês. Não consigo ver o rosto.

O que você acha que poderia melhorar na cidade para que as pessoas com deficiência visual consigam se locomover melhor?
Hoje, eu consigo andar em vários lugares sozinho. Gosto muito do metrô, por exemplo. Quando preciso de ajuda, posso dispor dos funcionários de lá, que me deixam na porta do trem e esperam na saída. Se tivéssemos mais estações de metrô, as coisas seriam mais fáceis. Já nas ruas, muitas calçadas têm buracos ou problemas no piso, o que dificulta a caminhada. As que têm piso tátil (bolinhas que conseguimos sentir com o pé ou a bengala) facilitam um pouco o trajeto. Isso sem falar nos aplicativos que chamam motoristas, que também são de grande ajuda. As coisas estão melhorando, mas ainda dá para a locomoção das pessoas com deficiência visual ser mais fácil.

Na hora de fazer as matérias do jornal, você escreve direto no computador ou faz tudo no papel e depois transfere?
Eu escrevo direto no computador ou no celular. Decorei o teclado, então não preciso me preocupar em saber onde fica cada letra. Além disso, uso um programa que faz a leitura para mim, com uma vozinha de robô. Ele lê em voz alta tudo o que eu escrevo.

Você sabe ler braile (sistema de leitura e escrita para quem tem deficiência visual)?
Sim, na faculdade estudei um pouco de braile. Inclusive, meu trabalho de conclusão de curso, o mais importante da faculdade, foi sobre música em braile. Eu entendo como funciona, mas como hoje podemos encontrar muitas ferramentas para deficientes visuais no celular, eu acabo não usando muito. É difícil encontrar conteúdos para ler em braile. Não há muitos livros para comprar, a maioria só conseguimos pegando emprestado ou de bibliotecas.

Do que você mais gosta na profissão de jornalista e que dicas você daria para quem quer seguir essa carreira?
Gosto de conhecer realidades diferentes. Um dia você faz uma matéria em uma escola e no outro, uma entrevista com o presidente de uma empresa. Estamos sempre aprendendo algo novo, não há muita repetição. Jornalista tem que ser curioso e saber um pouco de tudo. Você pode não saber tanto de construção como um engenheiro, mas terá que ter um pouco de conhecimento sobre o assunto para fazer uma entrevista e escrever um texto. Precisamos estar sempre com a antena ligada para aprender coisas novas.

Que conselhos você daria para quem tem deficiência visual?
Não fique triste porque tem uma deficiência. Você descobrirá outros caminhos para chegar aonde quer e encontrará amigos e tecnologias que vão ajudá-lo. Sua vida não será limitada por isso. Quando entendemos quem somos e o que queremos fazer, conseguimos ir longe.

O que é o braile?

É um sistema de leitura e escrita projetado para pessoas com deficiência visual. Possui bolinhas em relevo posicionadas em posições diversas, de modo a formar letras e números. O indivíduo deve passar a mão por cima desses pontinhos para identificar o que está escrito. É comum encontrar esse sistema em elevadores, urnas eletrônicas, além de livros e teclados de computador feitos especialmente para pessoas com deficiência visual.

Quer visitar a redação do Joca ser o editor mirim convidado da próxima edição? Escreva para joca@magiadeler.com.br.

8 comentários

  1. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    FOI BEM INTERESSANTE

  2. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    Nós adoramos a entrevista que a carreira de Filipe continue muito bem.

    Isabela e Pietro 5ºC

  3. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    Gostei muito da noticia e achei a noticia muito interessante.

    Aluna;maria eduarda

  4. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    Isabelle e Yasmin Gostamos demais da reportagem por que agente aprende a dar valor as pessoas que tem deficiencia visual fisíca etc
    E tambem a dar valor ao que agente tem e ele ensina que independente do que voce e ou oque voce seja voce precisa lutar pelos seus sonhos
    E tambem queremos muito ser editoras mirins do jornal Joca
    @magiadeler.com.br.

    1. Joca says:

      Olá Isabelle e Yasmin! Muito legal o depoimento de vocês. Para ser editor mirim, basta mandar um e-mail para joca@magiadeler.com.br. Aguardamos vocês aqui!

  5. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    Eu achei muito interessante esse assunto
    Eu tenho fé que um dia voce vai melhorar
    Gabriela e Sofia

  6. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    A gente achou muito interessante a reportagem legal.
    Enaira e Giovanna Dourado

  7. EMEF Prof. Laerte José dos Santos says:

    EU ISABELLE ME E INTETERESSEI DO HOMEM CEGO E TAMBÉM DOS MENINOS.

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